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Cooperativas de Transporte: Tempos de crise também são tempos de aprimoramento da gestão
Cooperativas de Transporte: Tempos de crise também são tempos de aprimoramento da gestão

Cooperativas de Transporte: Tempos de crise também são tempos de aprimoramento da gestão

por Alfeu Barreto

As cooperativas de transporte, que prestam serviços classificados como essenciais pelos decretos promulgados pelo governo, seguem com suas atividades em um cenário econômico que tende à recessão. Os impactos da Covid-19 podem ser fortes no setor, que não têm como fonte de receita somente os serviços considerados essenciais, motivo que pode levar a uma descompensação sem precedentes no caixa das cooperativas. Prestadores de serviços de transportes estão intimamente ligados à demanda de compras, vendas e locomoção da população. Segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), as cooperativas de transporte de cargas no Brasil atuam com cinco tipos de cargas: seca, frigorificada, líquida, containerizada, veículos e perigosas. Já as cooperativas de passageiros atuam na categoria individual como táxi e moto-táxi e no transporte coletivo prestando serviços de fretamento, escolar e transporte urbano. O segmento não está imune à necessidade de investir em boas práticas de gestão e, tão pouco, livre do desafio de inovar, para que a prestação de serviço seja eficiente para os clientes, especialmente neste momento. Para tanto, precisa estar preparado para suportar crises que afetem seus resultados, principalmente os indicadores de curto prazo.

A prestação de serviços de transporte por cooperativas, segundo a OCB, gerou, em 2018, quase R$300 milhões para a sociedade em tributos e geração de empregos. A representatividade na geração de empregos, somada aos mais de 98 mil cooperados, demonstra a importância das estratégias de gestão para o segmento em tempos de crise, como fonte de sustentação para enfrentar o período de recessão e continuar contribuindo para economia do País. “A pandemia serve como um termômetro para medir os impactos econômicos e sociais nas cooperativas. O setor precisa estar atento às estratégias que desenvolvam suas vantagens competitivas, ao mesmo tempo trabalhadas com o fluxo de caixa da organização. Assim as cooperativas poderão mensurar a eficiência de suas práticas de gestão e o quanto estão preparadas para o enfrentamento desta crise”, pontua a gerente de desenvolvimento e monitoramento de cooperativas do Sistema Ocemg, Vitória Drumond. Para ela, o contexto de isolamento social causado pela pandemia trouxe muitas mudanças ao mercado, que já tinha como características a volatilidade, a incerteza, a complexidade e a ambigüidade. “Tudo isso foi potencializado pela atual crise de saúde. Por esse motivo, é importante que as cooperativas se preparem e coloquem em prática estratégias para minimizar os impactos, criando, por exemplo, comitês para gerenciamento de crise, planos de contingenciamento, alianças estratégicas com outras cooperativas, práticas de fidelização dos cooperados, entre outras”, sinaliza Drumond.

Quais os impactos da pandemia em relação à prestação de serviços do ramo transporte?

Com o cenário de isolamento social e recessão da economia, além das incertezas quanto ao futuro, a população tende a frear as compras de produtos que não são de primeira necessidade. Segundo boletim publicado pela Cielo, no dia 20 de abril, o faturamento do varejo caiu 27,7%. “Categorias que dependem de componentes da China e outros países como, por exemplo, eletrônicos, podem estar relacionadas com o receio em consumir e adquirir produtos de países com maior incidência de casos do vírus”, afirma André Dias, Diretor Executivo do Movimento Compre & Confie. Nesse sentido, o baixo volume de compras pode afetar a demanda pelo transporte de cargas, que tende a diminuir. Os impactos no transporte de passageiros são ainda mais expressivos desde que o Brasil adotou o isolamento social como estratégia para conter o avanço da COVID-19. Conforme pesquisa publicada pela Exame, em 01 de abril, 57% da população está reclusa, confirmando uma queda no volume de passageiros, nas grandes cidades do país, que variou de 70 a 80% segundo pesquisa publicada pelo Instituto de Engenharia.

Com a diminuição da demanda de compras e circulação de pessoas, o cenário é de forte tendência na redução da prestação de serviços das cooperativas de transporte, o que pode afetar, diretamente, o faturamento e a capacidade de pagamento do setor. Segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o país tem 1.300 cooperativas de transporte, das quais 70% faturam até R$ 360 mil e 19,5% faturam entre R$360 mil e R$1,5 milhão. De acordo com a classificação elaborada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), são consideradas microempresas as que faturam até R$360 mil por ano e pequenas empresas aquelas que faturam até R$4,8 milhões por ano. Sendo assim, grande parte das cooperativas de transporte no Brasil são enquadradas no patamar de micro e pequenas empresas. Ainda conforme o Sebrae esse porte de organização corresponde a 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado no Brasil.

Cooperativa mineira aposta na intercooperação como estratégia para enfrentar a crise

Em Minas Gerais, o cenário não é diferente. As cooperativas de transporte têm grande relevância no Estado e registraram movimentação econômica superior a R$1 bilhão em 2018, com mais de 16 mil cooperados e geração de 1,6 mil empregos diretos. A Coopmetro, que em 2019 foi reconhecida por suas boas práticas de gestão no Prêmio Somoscoop Excelência de Gestão, foi a maior cooperativa em número de cooperados e a terceira em empregados do ramo segundo dados do Anuário de Informações Econômicas e Sociais do Cooperativismo Mineiro, publicado pelo Sistema Ocemg em 2019. Para a cooperativa, em momentos de crise, o importante é focar nas oportunidades que aparecem e ganhar com os aprendizados, especialmente no âmbito da gestão, buscando ainda alianças estratégicas com outras congêneres para solidificar a intercooperação e o espírito cooperativista. “Muitas cooperativas possuem seu próprio almoxarifado e podem viabilizar a oferta de peças e assessórios a outras, atuando assim também no que se refere aos pontos de abastecimentos próprios, disponibilizando estrutura adequada na prestação de serviços, além de contribuir para minimizar os impactos da crise”, destacou o presidente da Coopmetro Marcos Leisson, que reforçou ainda a necessidade da criação de um comitê para gerenciamento de crises, visando antecipar possíveis adversidades que afetem os negócios e medidas prévias para mitigar os possíveis impactos internos ou externos.

De acordo com ele, a cooperativa tomou medidas para minimizar os contratempos ocasionados pela atual situação e buscou realizar ações que contribuam para evitar o contágio entre seus colaboradores e cooperados. Na parte administrativa, 80% dos colaboradores estão em regime de home-office. Na prestação de serviços, a Coopmetro iniciou diversas campanhas com os cooperados, como: vacinação contra gripe, visto que o Ministério da Saúde inseriu os caminhoneiros no grupo de prioridade; ações de prevenção, cuidados administrativos e saúde ocupacional, seguindo os protocolos sanitários governamentais; readequação de estruturas das bases da cooperativa, para atendimento ao cooperado com implantação de locais mais apropriados para higienização; distribuição de kits de higiene para cooperados e fortalecimento da comunicação interna. Dados do Anuário do Cooperativismo Mineiro confirmam a Coopmetro como segunda cooperativa em faturamento em 2018, tendo uma variação positiva de 26,5% em relação a 2017. Entretanto, existe uma forte tendência de aumento nos custos operacionais do setor, em detrimento das dificuldades logísticas geradas pela pandemia. Questionado sobre renegociações de contratos, tendo em vista uma possível inadimplência dos clientes, que afetar o fluxo de caixa, Marcos Leisson destacou que “o cenário ainda é instável até para falar de renegociações de contratos. O governo tem se posicionado na liberação de linhas de crédito para o transporte e para outros setores da economia. Portanto, qualquer tomada de decisão nesse momento pode ser precipitada. Mas cada dia é um dia. O posicionamento de hoje pode ser diferente de amanhã”, disse.

Fonte: Sistema Ocemg - Gerência de Desenvolvimento e Monitoramento de Cooperativas

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